O primeiro tempo de São Paulo versus Santos serviu para findar qualquer questionamento das arquibancadas sobre o trabalho que a diretoria e Émerson Leão vem implantando, gradativamente, no Morumbi para a temporada 2012.
A diretoria mandou embora quem não estava comprometido, trouxe reforços de alto nível, manteve Leão no cargo e deu tempo para que um novo ciclo se formasse.
E o resultado desse trabalho começou a aparecer no segundo tempo da partida entre SPFC versus Portuguesa e, com mais intensidade, na extraordinária partida frente ao Santos, atual campeão paulista e da Libertadores.
No San-São a equipe foi uma mescla de garra, determinação, comprometimento conciliados à técnica, padrão/postura tática definida e ofensividade.
A BLITZKRIEG LEONINA
Blitzkrieg (termo alemão para guerra-relâmpago) foi uma doutrina militar em nível operacional que consistia em utilizar forças móveis em ataques rápidos e de surpresa, com o intuito de evitar que as forças inimigas tivessem tempo de organizar a defesa. Seus três elementos essenciais eram a o efeito surpresa, a rapidez da manobra e a força no ataque, e seus objetivos principais eram: a contenção do inimigo e a desorganização de suas forças (paralisando seus centros de controle).
Considerando os gramados como um campo de batalha, Leão implantou uma verdadeira blitzkrieg contra o Santos. Sufocou a equipe da Vila desde a saída de bola. Todos jogadores tinham função tática definida e marcavam sem proporcionar espaços.
O São Paulo com alma tanto deu certo que logo aos 8 minutos abria o placar com Casemiro chegando de trás. E a verdade é que o São Paulo poderia ter encerrado o primeiro tempo vencendo tranquilamente por uns quatro gols.
Vale lembrar que muitos jornalistas esportivos chegaram a zombar da diretoria Tricolor diante da contratação de Émerson Leão. Referiam-se a Leão como “o ex-técnico” e até mesmo com a frase “resgataram um técnico que estava aposentado”.
Outros afirmaram que Leão não entende de tática e está ultrapassado. Agora, fica a pergunta: o que Leão fez com a equipe do também consagrado Muricy não foi um “nó tático”?
Mas Leão mostrou (e vem mostrando) que não é à toa que levou o Sport Recife ao título nacional de 1987, conquistou o Brasileirão 2002 com uma equipe de garotos geniais, e chegou a comandar a Seleção Brasileira.
Leão foi fritado na Seleção, mas no curto período em que ficou tentou implantar um futebol bailarino.
Na verdade, futebol bailarino significa futebol arte, dos tempos passados (e não ultrapassados) quando Leão conviveu com grandes gênios da bola como Rivelino, Ademir da Guia, etc...
Muitos não enxergam (ou não querem enxergar), mas fato é que Leão arma equipes com forte marcação, de garra, mas também sempre privilegia o futebol jogado de forma vistosa, pra frente, ofensivo e objetivo.
O São Paulo 2012 só perdeu uma partida. Com Leão e os novos jogadores o SPFC não é mais aquela baba do ano passado...
Ricardo Flaitt é jornalista e historiador. (MTb 40.939)
Colunista do site www.tricolorpaulista.net
E-mail: ricardo.flaitt@tricolorpaulista.net
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Twitter: @ricardo_flaitt

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