Leônidas da Silva já era conhecido como Diamante Negro quando chegou ao São Paulo, em 1942. Oito anos depois, encerrou a carreira com 144 gols pelo time tricolor.
Ontem, a atual joia brilhou e superou a marca do antigo ídolo. Luís Fabiano balançou a rede duas vezes na vitória por 4 a 1 sobre o Flamengo, no Morumbi, e alcançou os 145 gols com a camisa são-paulina.
Além de fazer história ao se tornar o sétimo maior artilheiro dos 82 anos do clube, o atacante calou da melhor maneira possível seus poucos e barulhentos críticos. Membros de uma torcida organizada do São Paulo até se concentraram na porta do estádio para protestar contra o time e o centroavante.
A bronca, na verdade, é mais pela dor de cabeça que o Fabuloso deu ao Tricolor devido ao excesso de cartões amarelos neste ano — ele ficou fora de jogos importantes, como a semifinal do Paulistão, quando o time foi eliminado pelo Santos.
De volta à equipe após se recuperar de uma lesão muscular na coxa esquerda, o centroavante entrou em campo de cara fechada. Porém, ao contrário do que fez uma das organizadas na chegada do time ao Morumbi, a maioria da torcida tricolor gritou o nome do matador. Era o combustível que ele desejava.
Liderança/ Com a ajuda do goleiro Rogério Ceni, de volta ao time após sete meses se recuperando de contusão no ombro, Luís Fabiano comandou o São Paulo em campo. Criou logo de cara duas boas chances de marcar, mas parou nas mãos do flamenguista Paulo Victor.
Mas o goleador só foi sorrir, mesmo, quando Maicon arriscou chute de longe — sem força, mas com precisão — e abriu o placar, aos 41 minutos. Logo depois, o prêmio por sua dedicação. De cabeça, ele marcou o segundo gol após a cobrança de escanteio de Jadson, igualando-se a Leônidas da Silva.
Na segunda etapa, o atacante ultrapassou o ídolo da década de 40 ao anotar outro de cabeça, agora em cruzamento de Cortez. De nada adiantou Ramon diminuir o placar. Era tarde de um novo diamante brilhar. E ele finalizou sua bela atuação deixando Jadson na cara do gol para marcar o quarto e último gol do São Paulo na tarde.
Feliz, Luís Fabiano se esqueceu das críticas. “Não entrei chateado em campo. Acima de qualquer coisa, há o amor pelo São Paulo e o respeito por essa camisa”, afirmou, como quem pede silêncio aos corneteiros.
por(Luciano Ribeiro luciano.ribeiro@diariosp.c






